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Hexa

HEXA 2009

 Superação foi a palavra do hexa do Mengão!

Nos últimos anos, virou chavão dizer que só os clubes estruturados ganham títulos brasileiros. O Flamengo de 2009 põe por terra essa teoria. O Rubro-negro não é um clube que tem um centro de treinamento no nível das grandes potências. Pagar salário em dia também nunca foi o forte na Gávea. O departamento médico, a sala de musculação, os alojamentos, nada disso tem a grandeza que o clube merece. Mas os profissionais da comissão técnica, sim, são de primeiro mundo.

              Com profissionais gabaritados, o Flamengo apostou também em uma fórmula que já havia dado certo em 87 e 92, com um técnico que é um funcionário com carteira assinada do clube e conhece o Rubro-negro como poucos. Foi com o Andrade que o clube deixou de ser um mero participante no brasileiro para brigar pelo título. Com seu jeito caladão, o treinador teve o elenco nas mãos durante toda a campanha. Impossível não comparar com Carlinhos, comandante do tetra e do penta, e assim, como Andrade, cria da Gávea.

              Mas, independente de Andrade, o Flamengo não chegaria ao hexa se não fosse a dupla Petkovic/Adriano. Ambos chegaram desacreditados. Pet era tido como ex-jogador em atividade e Adriano andava meio desiludido com o futebol. No Flamengo, os dois principais jogadores da campanha reencontraram o futebol, a alegria. Outros também, se superaram, como Álvaro, Maldonado e Zé Roberto. E se juntaram a jogadores importantes, que conhecem bem o que é o Flamengo, como Bruno, Léo Moura, Angelim, Kléberson, Aírton e Toró.

              Como cereja no bolo, o apoio incondicional da nação rubro-negra. Não tinha como o hexa fugir da Gávea neste ano.

                                                         (Flávio Garcia)


              Deixaram chegar...

              Foi uma jornada incrível, como as mais envolventes  e clássicas sagas que a humanidade já inventou. O começo difícil, sofrido, com cisões, derrotas dolorosas, a chega de um velho herói que promove a união, a recuperação de outro herói dado como acabado, e o surgimento de uma força coletiva inédita que consegue superar todas as adversidades. O universo conspirando a favor, acima de tudo, a fé e o amor da maior torcida do mundo movendo um time com vocação para a vitória.

 

                                                        (Revista Globo Esporte)

 

VIAGEM FANTÁSTICA

 

              MARACANÃ, 6 de Dezembro de 2009: jogam Flamengo e Grêmio, pela última rodada do brasileiro, 24 minutos do segundo tempo...escanteio para o Fla, e a maior preocupação era com Adriano. Mas Pet, 37 anos, herói em 2001, cobrou na medida para Ronaldo Angelim, que vinha de trás, mandar a bola de cabeça para o fundo das redes. O zagueiro correu para comemorar de um lado, com outros jogadores. O sérvio, perto da bandeirinha, celebrou solitário, com uma cambalhota.

              Nas arquibancadas, cada um vibrou também do seu jeito. Uns abraçados, outros pulando por cima, ajoelhados, chorando com o rosto na camisa ou cantando “o Maraca é nosso, vai começar a festa”. Daí em diante, o tempo pareceu eterno até o apito final selar a vitória por 2 a 1. Foi um título conquistado em espetacular sprint de puro sangue, arrancada que teve na garra dos jogadores e no apoio da torcida seus principais combustíveis. Muitos jovens dos mais de 80 mil presentes gritaram ou cantaram ao mundo inteiro, pela primeira vez, a alegria de ser campeão da mais importante competição do melhor futebol do mundo, o brasileiro.

              Andrade, que formou a santíssima trindade do meio-campo com Adílio e Zico, assumiu o cargo de treinador em plena crise e deixou de ser interino para se tornar perpétuo – enquanto durar. Como poucos, o Tromba sabia do grito engasgado. E os 17 anos de espera só aumentaram o legado de seus comandados. Para a nova geração de flamenguistas, Ronaldo Angelim, Pet, Adriano, Zé Roberto, Bruno, Léo Moura, Juan, Maldonado, David, Willians, Toró, Aírton, Kléberson, Álvaro, Everton, Ibson, Emerson, Fierro, entre outros tornaram-se heróis de uma campanha inesquecível.

              No brasileirão de 2009, nas primeiras 19 rodadas - metade da competição - , a equipe ocupava o décimo lugar, com 10 pontos a menos que o líder Palmeiras. Duas rodadas depois, ainda caiu para décimo quarto.

              Houve crise: os salários atrasavam, o time foi goleado por 5 a 0 pelo Coritiba, e, depois de fazer 2 a 0 no Sport, no Recife, tomou uma viarada para 4 a 2 em 9 minutos. O técnico Cuca foi trocado por Andrade após o empate em 1 a 1 com o Barueri, no Maraca.

              Houve também problemas entre torcida e jogadores, especialmente com Léo Moura e Bruno. E perdas de peças importantes para o exterior: Ibson e Emerson. Muitos temeram outra briga contra o rebaixamento. Nem o flamenguista mais otimista acreditava em título: matemáticos chegaram a prever 1% de chance.

              Grande erro. O Flamengo se inspirou no voo bonito de um dos mascotes, o urubu e no poder de reação do outro, o Popeye. O duelo com o São Paulo, 2 a 1, na vigésima nona rodada, pode ser considerado o divisor de águas do Flamengo no campeonato. Logo depois veio a vitória de 2 a 0 sobre o Palmeiras e a de 1 a 0 sobre o Botafogo, no Engenhão, quando Adriano, em bela jogada individual, decidiu

              A derrota para o Barueri fora de casa por 2 a 0 quebrou a série, mas foi a última. Na trigésima terceira rodada, no Maracanã, Bruno, já de pazes feitas com a torcida, pegou dois pênaltis, o time bateu o Santos por 1 a 0 e chegou ao G4.

              A vitória de 3 a 1 sobre o Atlético-MG, num Mineirão lotado, deixou o time com moral. Assumiu o terceiro lugar. O 2 a 0 sobre o Náutico nos Aflitos deu-lhe a vice-liderança, desperdiçada no empate em 0 a 0 com o Goiás no Maracanã. Houve quem saísse do estádio sem esperanças. Mas na rodada seguinte, com os 2 a 0 sobre o Corinthians e a derrota do São Paulo para o Goiás no Serra Dourada, o primeiro lugar caiu no colo.

Última rodada. Era só vencer o Grêmio. A equipe e a torcida levaram um susto com o gol de Roberson, aos 21 minutos. Pouco depois, aos 30, o jovem zagueiro David diminuiu a tensão. Mas o resultado que garantiria o hexa só veio aos 24 minutos do segundo tempo, com Ronaldo Angelim. O zagueiro baixo (1,77 m) e de infância pobre no interior do Ceará tinha sofrido uma grave e rara lesão no começo do ano: síndrome compartimental aguda, que poderia ter evoluído para uma necrose de sua perna direita. Foi um herói à altura do feito. Fim de um jejum de 17 anos, título para ser lembrado sempre.

 

PALAVRAS E EMOÇÕES DE ZICO, O MAIOR DE TODOS

 

              “Foi sofrido. Vi a conquista pela TV, firme, de Atenas, e está mantida a escrita: não perco título do Flamengo pela telinha...

              Andrade na minha opinião, foi o personagem mais importante do hexa. Soube fazer do time, o mais regular da competição. Recuperou a confiança de jogadores que estavam desacreditados em outros clube e no próprio Flamengo.

              Fiquei muito emocionado pelo Andrade. Parabéns ao amigo Tromba. A todos os rubro-negros, aos funcionários do clube, à diretoria. Mas um parabéns especial à Incansável...que leva o time no colo e me emociona, me arrepia, mesmo a milhares de kilômetros. Deu vontade de entrar pela Televisão, sair no campo e marcar um gol de qualquer jeito. A torcida do Flamengo merece, pois apoiou o time o tempo todo.”

 

ELES TROUXERAM O HEXA

 

              Para vencer o Brasileirão, o primeiro da era dos pontos corridos, o Flamengo contou com elenco numeroso de jogadores: Bruno, Diego, Léo Moura, David, Ronaldo Angelim, Álvaro, Welinton, Fabrício, Maldonado, Willians, Juan, Aírton, Lenon, Erick Flores, Toró, Ibson, Kléberson, Everton, Petkovic, Fierro, Zé Roberto, Camacho, Josiel, Emerson, Adriano, Bruno Mezenga, Dênis Marques, Everton Silva, Maxxi Biancucchi, Aleílson, Jorbison, Alex Cruz, Rômulo, Rafhael Galhardo, Bruno Paulo, Obina, Marcelo Lomba, Gil e Marlon. Comissão: Andrade, Marcelo Salles, Paulo Henrique, Alexandre Sanz, Roberto Barbosa, Runco, entre outros.

 

ESTATÍSTICAS

 

              O Flamengo venceu 19, empatou 10 e foi derrotado 9 vezes, marcou 56 gols, sofreu 43, levou 105 cartões amarelos e 4 vermelhos. Jogou 34 vezes com a camisa rubro-negra e 4 com a camisa branca.

                                                                (Revista Globo Esporte e Lance!)

 



 
 
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