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5 vezes o melhor do Brasil

1980 - FLAMENGO 3 x 2 ATLÉTICO-MG

Zico conquista seu primeiro título brasileiro numa final eletrizante. Os repórteres de PLACAR Marcelo Rezende (hoje apresentador da TV Globo) e Mílton Costa Carvalho contam tudo de um ângulo raro – de quem presenciou a decisão à beira do campo.

Nunes comemora: "Calma, agora é que a festa vai começar"

POR MARCELO REZENDE E MÍLTON COSTA CARVALHO
 
Este é um jogo que ninguém – lá da arquibancada, pela tevê ou rádio – viu, ouviu ou assistiu.
 
Começa a partida. O Flamengo parte para a primeira falta, prometida por Tita: um pontapé no joelho de Jorge Valença. Éder corre, Nunes também:
 
– Calma – diz Nunes – que aqui é o Maracanã e te meto porrada.
 
São três minutos e o Atlético desce para o ataque. Júnior acerta a perna de Chicão, que retruca:
 
– Não avança não, filho da ..., que vou te pegar.
 
Nunes passa perto de Osmar para lembrar-lhe "daquela palhaçada do Mineirão" e prometer vingança. Agora são 7 minutos. Osmar avança e João Leite grita desesperado: "Volta, pelo amor de Deus!" A bola é lançada para Nunes e João Leite abandona o gol berrando para assustar o atacante. Esforço inútil: Nunes toca para as redes e sai gritando um palavrão. Agora é o Galo que ataca e, num chute de Reinaldo, empata o jogo. É a vez de Carpegiani se desesperar:
 
– Onde está a cobertura dessa merda?
 
Júnior balança a cabeça. Raul incentiva e protesta:
 
– Aqui não tem homem? Isso não é gol que se tome. Vamos entrar firme, dar porrada. Cadê os homens?
 
Corre a partida. Chicão manda pôr na roda, Chicão pega Zico, que reage:
 
– Olha aqui, se me pegar de novo eu te quebro. Vai pra ...
 
Chicão coloca o dedo na cara de Zico:
 
– Sossega, guri.
 
O Fla está acuado. Quarenta minutos. Nunes pega Luizinho – o zagueiro será substituído no segundo tempo por causa dessa entrada na perna. Falta de Valença em Tita. Chicão chama Valença para a área, enquanto Osmar pede a atenção de Cerezo na marcação de Zico. Mas o Galinho aparece só na área e, de virada, faz 2 x 1.
 
Começa o segundo tempo e Osmar acena para o banco, sai. Aos 16 minutos, Raul pega uma bola nos pés de Palhinha, que toca de leve com a bola na cabeça do goleiro:
 
– O juiz tá prejudicando a gente. Segura o teu pessoal senão o jogo mela.
Raul:
 
– Isso é guerra. Adoro você mas não entro nessa catimba.
 
Outro gol de Reinaldo – machucado, capenga, ele empata o jogo. Instala-se uma crise na defesa do Flamengo. Um xinga o outro, Zico grita:
 
– Agora vamos ganhar. Quero um time de macho. Nesta porra mando eu.
 
O time avança. Zico grita com Júlio César para marcar, ordena que Adílio seja mais rápido. Reinaldo cai em campo – sente o músculo, faz cera, xinga a mãe do juiz.
 
José de Assis Aragão revida:
 
– Quebro a cara desse moleque. Tá expulso!
 
Do túnel, Reinaldo adverte:
 
– Cuidado, vai ser gol! Faz a falta em Nunes. Mata ele, Silvestre!
 
Nunes invade, Silvestre hesita. João Leite grita:
 
– Quebra ele, pega firme!
 
Gol de Nunes, o gol do título. Em seguida, Chicão é expulso. Palhinha, também:
 
– Tá satisfeito, seu juiz de merda? Você queria o Flamengo, não é mesmo?
 
Nunes ri:
 
– Calma, garotada, que agora é que a festa vai começar.
 
Zico emenda:
 
– Vai tomar seu banhinho lá dentro e deixa o campeão dar seu baile.

01/06/80 Maracanã (Rio)
FLAMENGO 3 X 2 ATLÉTICO-MG

J: José de Assis Aragão (SP); R: Cr$ 19 726 210,00; P: 154 355; G: Nunes 7, Reinaldo 8 e Zico 44 do 1º; Reinaldo 21 e Nunes 37 do 2º; E: Reinaldo, Chicão e Palhinha
 
FLAMENGO: Raul, Toninho, Manguito, Marinho e Júnior; Andrade, Carpegiani (Adílio) e Zico; Tita, Nunes e Júlio César (Carlos Alberto). T: Cláudio Coutinho
 
ATLÉTICO-MG: João Leite, Orlando (Silvestre). Osmar, Luisinho (Geraldo) e Jorge Valença; Chicão, Toninho Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo e Éder. T: Procópio Cardoso

1982 - GRÊMIO 0 x 1 FLAMENGO

Eram os tempos em que o Campeonato Brasileiro se chamava Taça de Ouro. Mais uma vez o Flamengo estava na final e o bicampeonato rubro-negro só veio na terceira partida contra o Grêmio do jovem Renato Gaúcho

FLAMENGO, ESSE INSACIÁVEL CAMPEÃO
Jogou a seu estilo até marcar o gol do título. Depois defendeu para provar que faz tudo bem.


Nunes ameaça Leão: o gol era uma certeza em dia de decisão

POR DIVINO FONSECA
 
Em 28 anos de história, o Estádio Olímpico tinha presenciado apenas duas festas de adversário – em 1978 e 1981, o Inter ganhou lá o título gaúcho. Domingo passado, não mais do que dois mil torcedores rubro-negros fizeram a terceira. Em Porto Alegre, desde o empate na segunda partida, na quarta-feira, e depois de passarem por toda espécie de dificuldades, eles viram o Flamengo confirmar a espantosa escrita iniciada em 1981: disputou caneco, ganhou.
 
No primeiro tempo, o Flamengo foi ousado. Depois de uns dois ou três minutos, Zico e sua turma perceberam que o Grêmio continuava respeitando o Flamengo (e convenhamos que tem que ter respeito, pois esse é o time mais traiçoeiro do mundo), movimentando-se com quatro no meio-campo: Batista, Vílson Tadei, Paulo Isidoro e Tonho– e recuando para perto de sua área quando perdia a bola. Aí Zico e sua turma partiram com tudo. Com tudo, não. Com a bola de pé em pé. Mais pela direita, com Leandro ajudando Lico, pois cá na esquerda Júnior experimentava uma parada ingrata– o menino Renato, 19 anos, corpo de zagueiro e velocidade de ponteiro, produzia um carnaval dos diabos quando pegava a bola.
 
Aos 10, quando já se divisavam alguns clarões na marcação tricolor, Zico avançou pelo meio, driblou Tadei, ameaçou virar para a esquerda e lançou o centroavante pela direita. Nunes correu ao lado de De León e fuzilou de pé direito, reto, no canto esquerdo. Era seu quinto gol na Taça de Ouro – pouco para um artilheiro –, mas um tinha que ser na decisão.
Passaram-se alguns minutos e Nunes perdeu a chance de ir além de sua promessa ao goleiro do Grêmio, depois de uma alucinante troca de passes.
 
Fosse outro o adversário, até pareceria curioso: o Grêmio, que largara atrás e precisava no mínimo empatar, às vezes partia em furiosos contra-ataques, mas deixava três na marcação de apenas um flamenguista.
 
O mais era a resistência à volúpia avassaladora do Grêmio, empurrado pela garra pampeana. E aí, jogando circunstancialmente como a maioria das equipes que o enfrentam, o Flamengo mostrou que também tem defesa. Protegido pelo magnífico Andrade, por Adílio, por Lico e por Vítor, que substituiu Nunes aos 32, os zagueiros com fama de limitados também brilhavam. Figueiredo era um monstro nas bolas altas. Marinho era intransponível por cima e por baixo. E, como acontece nessas ocasiões, a sorte também ajudou. Aos 10, formou-se na pequena área do Flamengo uma das maiores confusões já vistas em futebol – um tremendo bate-rebate que só foi salvo quando a bola já ia entrando.
 
Foi, então, o Flamengo total. Belíssimo, artístico, arrebatador, no primeiro tempo. Forte, heróico, intransponível, no segundo. Ao saírem em festa, para enfrentar os 1 538 km da volta, os rubro-negros recebiam a notícia de que o clube já contratara, por 300 mil dólares, o rápido e driblador ponta-direita (e esquerda) Alzamendi, do Independiente, da Argentina. Mas ali, naquele instante, eles estavam em delírio por um motivo mais especial: o Flamengo tinha conquistado o título de campeão brasileiro dentro do orgulhoso pampa. Aquilo tinha o sabor de amarrar o cavalo no obelisco.
 
25/4/82 Olímpico (Porto Alegre)
GRÊMIO 0 X 1 FLAMENGO

 
J: Oscar Scolfaro (SP); R: CR$ 29 579 900; P: 62 256; G: Nunes 10 do 1º; CA: Newmar, Tonho, Nunes e Lico
GRÊMIO: Leão, Paulo Roberto, Newmar, De León e Paulo César; Batista, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Renato, Baltazar (Paulinho) e Tonho (Odair). T: Ênio Andrade
 
FLAMENGO: Raul, Leandro (Antunes), Marinho, Figueiredo e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes (Vítor) e Lico. T: Paulo César Carpegiani

1983 - FLAMENGO 3 x 0 SANTOS
 
O Flamengo perdeu o primeiro jogo decisivo, no Morumbi, por 2 x 1. Nem isso diminuiu a confiança da torcida, que proporcionou o maior público da história do Maracanã – e o tricampeonato
 
O SHOW DO MARACANÃ

 
O maior público já presente a uma final do Campeonato Brasileiro – 155 253 pagantes – viu domingo um espetáculo inesquecível: os 3 x 0 que deram o tri ao Flamengo
 


Zico: ele fez ruir o sonho santista aos 40 segundos de jogo

POR CELSO KINJÔ
 
Afogadas na imensidão rubro-negra do Maracanã, aquelas 10 mil vozes santistas entoavam um refrão de sonho, inclusive porque, entre seu canto e a viva realidade que as cercava, havia uma brutal diferença. Enquanto repetiam "Caiu na rede é peixe, ê-ê-ah/o Santos vai golear", bandeiras alvinegras estendidas sobre a grade das arquibancadas eram surrupiadas, por torcedores inimigos, postados na marquise inferior, onde se localiza o setor das cadeiras. Começava a ruir, às 14h47, o castelo que abrigaria um novamente majestoso Santos campeão do Brasil.
 
Se a batalha era desigual já nesses preparativos, o que se viu no campo foi atordoante. Uma densa preleção em que o técnico Formiga lembrou, acima de tudo, a necessidade de segurar o ímpeto adversário na quadra inicial da partida, transformar-se em pesadelo aos 40 segundos, quando Zico fez 1 x 0. "Muito cuidado com o 11", recomendara Formiga com insistência. Mas, no primeiro lance, Toninho Oliveira virou as costas para o arisco Júlio César, dessa forma oferecendo o caminho do gol.
 
A decisão – que mereceu o 11º volume de público registrado na história do Estádio Mário Filho, com exatos 155 253 pagantes, o maior em decisões do Campeonato Brasileiro – mudou de forma e conteúdo.
 
Pita trocava cotoveladas com o implacável Vítor e não articulava, nervoso que estava com a rígida marcação, um único lance ofensivo. Quando uma nesga de esperança surgira, Élder – ou podia ser Vítor, ou Leandro, ou Figueiredo – capturava a bola e esfumava o sonho santista. Quem sabe Dema fosse o homem capaz de operar o milagre, tirando os companheiros do sufoco e mostrando o caminho da luz? Quem sabe fosse Lino? Ou o pênalti sobre Pita, aos 22, quando Arnaldo César Coelho preferiu marcar tiro indireto?
 
Nada disso. Nesse diagnóstico dos porquês, necessário como exercício de autocrítica, há que destacar a soberba exibição da nação flamenguista. Isto é, os 11 jogadores no gramado, seus companheiros de banco e a massacrante legião que desempenhou no Maracanã, uma vez mais, o maior espetáculo de uma torcida na Terra. A cada balão que a massa das arquibancadas iluminava e fazia subir, um gol era perdido pelo ataque. Os hinos de guerra, gritados por 150 mil gargantas aquecidas, intimidavam o acuado visitante e não foi por outra razão que Toninho Silva derrubou Adílio junto à linha de fundo, aos 39, lance do qual resultaria o segundo gol, numa cabeçada de Leandro.
 
O Santos retomou para a etapa final necessitando de um gol para obrigar a uma prorrogação. Mas faltou-lhe o que sobrou ao Flamengo: raça para vencer e preciosas atuações de jogadores decisivos, diante das circunstâncias. Caso, por exemplo, do zagueiro Figueiredo, substituto de Mozer, que anulou o centroavante Serginho e cobriu com eficiência o lateral Leandro; caso, também, de Adílio, premiado com o terceiro gol, a um minuto do fim.
 
O Santos sucumbiu na grandiosidade do Flamengo tricampeão brasileiro. Ou como sentenciava o eufórico Marinho: "Não tem coisa pior do que enfrentar o Flamengo em decisão, aqui no Maracanã."
 
29/5/83 Maracanã (Rio)
FLAMENGO 3 X 0 SANTOS

 
J: Arnaldo César Coelho (RJ); R: Cr$ 168 700 000; P: 155 523; G: Zico 40 segundos e Leandro 39 do 1°; Adílio 44 do 2º; CA: João Paulo, Joãozinho, Figueiredo, Pita, Toninho Carlos e Marinho
 
FLAMENGO: Raul, Leandro, Marinho, Figueiredo e Júnior; Vítor, Adílio e Élder; Baltazar (Robertinho), Zico e Júlio César (Ademar). T: Carlos Alberto Torres

SANTOS: Marolla, Toninho Oliveira, Joãozinho, Toninho Carlos e Gilberto; Toninho Silva (Serginho II), Paulo Isidoro e Pita; Camargo (Paulinho Batistote), Serginho e João Paulo. T: Formiga

1987 - FLAMENGO 1 X 0 INTERNACIONAL
 
Apenas 16 times disputaram a Copa União, símbolo da ruptura entre a CBF e o recém-fundado Clube dos 13. O título ficou com o Flamengo, que recusou um cruzamento com os times do Módulo Amarelo. Para os 13, o melhor havia sido escolhido ali


O GALINHO PEGA A TAÇA!


POR DIVINO FONSECA*
*Colaboraram Geraldo Mainenti, Alfredo Ogawa, Milton Costa Carvalho e Carlos Orletti
 
Mal o juiz apitou o fim do jogo, Zico saltou do túnel, de onde torcera os últimos minutos depois de ter sido substituído, e abriu um sorriso. Saiu então a abraçar todos, como fosse um adolescente que havia conquistado o seu primeiro título.
 
Zico, o melhor jogador da história do Flamengo não foi o mais brilhante da vitória de 1 x 0 sobre o Inter. A exemplo das outras três decisivas partidas da competição, ele não era o pulmão, e sim cérebro e olhos da equipe. A torcida saiu, sim, indiferente à chuva que desde cedo tentou enfeiar a festa – como se isso fosse possível num dia em que o Flamengo decide o título.
 
Reza a supertição que, quando o urubu lançado pela torcida cai em mãos do inimigo, o título vai para o espaço. Foi assim em 1983, no Fla-Flu decisivo do Carioca. O bicho aterrissou nas mãos do lateral-direito Aldo e deu Fluminense. No ano seguinte, outro Fla-Flu que valia caneco, e o bicho acabou sendo abatido pela torcida tricolor: Flu bicampeão. Domingo, porém, quando o urubu pousou perto de Taffarel, no início do jogo, quem o recolheu? O materialista Renato.
 
Não foi por aí, porém, que o dono da festa impôs seu futebol. "Jogamos num estilo alegre, bem brasileiro", saboreava o técnico Carlinhos. Sempre com a bola no chão, movimentação e passes consistentes, sem pressa, mas rápido, o Flamengo tratou de ir prensando o Inter contra a sua área. Até sair o gol urubu. "Ainda não entendi", reclamava Taffarel, no final. "Fui certo de que abafaria aquela bola. De repente, surgiu o pé do Bebeto."
 
"Pensei que passaríamos trabalho no segundo tempo", rememorava Zico. "Só que a reação do Inter não nos assustou." Por quê? Porque o time gaúcho não tinha força suficiente – e essa é quase que sua única arma – e também porque o Flamengo não desmentiu Ênio Andrade. O técnico colorado, consciente de que treina um time limitado, elogiava o de Carlinhos pela seriedade com que passou a marcar a partir do segundo turno.
 
Bebeto, esse era a imagem da emoção – e agora as lágrimas que lhe valeram o apelido de "chorão" tinham razão de ser. "Dedico o gol e o título à Denise, minha mulher", soluçava ele, segurando a prosaica calculadora que ganhara de uma rádio como prêmio.
 
O mesmo fez o garoto Leonardo, que, também em prantos, balbuciava: "Quando eu deixei os juniores e estreei, na abertura da Copa União, a torcida mal sabia o meu nome." O contraste absoluto estava nas palavras do grande Leandro, que até poderiam soar um tanto cruéis. Segundo ele, certos jogadores do Inter sentiram demasiado o berro do Maracanã. "Não vou citar nomes, mas alguns tremeram.
 
Pareciam petrificados", dizia. Não era crueldade. No silencioso vestiário colorado, dois jogadores, Norberto e Luís Carlos, confirmavam essa constatação. "Faltou personalidade a alguns, e nem vou alegar a pouca idade, pois o cara deve ser macho desde guri", desabafava o capitão Luís Carlos.
 
Não, Zico não foi o mais brilhante. Mas foi cérebro e olhos. Um capitão. Um indispensável condutor de craques. Aos 34 anos, o herói de sempre. No fim, a primeira Copa União foi parar nas mãos do último gênio. Terá sido por acaso?
 
13/12/87 Maracanã (Rio)
FLAMENGO 1 X 0 INTERNACIONAL

 
J: José de Assis Aragão (SP); R: Cz$ 20 452 800; P: 91 034; G: Bebeto 16 do 1º; CA: Aluísio e Edinho
 
FLAMENGO: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico (Flávio); Renato, Bebeto e Zinho. T: Carlinhos
 
INTERNACIONAL: Taffarel, Luís Carlos Winck, Aluísio, Nenê e Paulo Roberto (Beto); Norberto, Luís Fernando e Balalo; Hêider (Manu), Amarildo e Brites. T: Ênio Andrade

1992 - BOTAFOGO 2 x 2 FLAMENGO
 
A decisão foi empanada por um acidente terrível, em que uma grade da arquibancada cedeu, matando torcedores do Flamengo. Nunca mais o Maracanã receberia um público tão grande. Um público digno de Flamengo campeão
 
OUVINDO A VOZ DO POVO 
"Seremos campeões", profetizava a galera. Em campo, o Mengo não negou fogo.
 
Júnior, sempre onipresente, comemora: não dava mesmo para o Botafogo.
 
Houve momentos em que só mesmo a fanática torcida rubro-negra parecia acreditar que o título de 1992, a exemplo do que já acontecera em 1980, 1982, 1983 e 1987, tomaria o rumo da Gávea. Seria a consagração do Flamengo como o maior vencedor de Brasileiros, com cinco conquistas. A galera negara-se a enxergar as possíveis limitações de sua equipe. E insistia em profetizar em seus corinhos: "Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe Mengo/ Seremos campeões..."
 
Os motivos para tanta euforia, ao contrário do que costumava acontecer nos tempos em que Zico vestia a camisa 10, demoraram a aparecer. Quando terminou a fase classificatória, com os 20 clubes do campeonato se enfrentando, todos contra todos, em 19 rodadas, o saldo não era muito animador. As oito vitórias e seis empates, contra cinco derrotas, posicionavam a equipe em um modesto quarto lugar, atrás de Vasco, Botafogo e Bragantino.
 
Um período em que aconteceu de tudo, principalmente entre a sexta e a 11ª rodadas – tempos de derrotas seguidas para Cruzeiro (1 x 2), Santos (0 x 2), Bragantino (0 x 1) e Vasco (2 x 4), entremeadas por dois empates, contra Atlético Mineiro (1x1) e Náutico (0 x 0). Um verdadeiro inferno astral, do qual só os predestinados a ser campeões conseguem sair ilesos.
 
Foi a partir das semifinais que tudo começou a mudar. Peças fundamentais para que o correto esquema tático implantado pelo técnico Carlinhos desse certo começaram a se destacar. Quem estava em baixa – como o centroavante Gaúcho e os até então coadjuvantes Nélio e Zinho – subiu de produção. E quem já vinha se destacando, casos dos veteranos Júnior e Gilmar, tornou-se o ponto de equilíbrio para que o Mengão, afinal, se reencontrasse com as vitórias.
 
Já não havia motivo para duvidar da força rubro-negra na briga palmo a palmo com Vasco (até então líder absoluto durante todo o campeonato), São Paulo (tido como o melhor time do país durante todo o ano de 1992) e Santos (um time que, apesar das limitações, foi o único adversário a derrotar o rubro-negro duas vezes no Brasileiro).
 
Fazendo-se valer da mítica capacidade de reação, o Mengo derrotou pelo menos uma vez todos eles. Na última rodada conquistou o direito de chegar a mais uma decisão de Brasileiro com um categórico 3 x 1 sobre o Santos. Enquanto isso, o rival Vasco, vítima humilhada com um empate e uma vitória rubro-negra em apenas quatro dias, dava uma mãozinha eliminando o São Paulo com um 3 x 0.
 
Mesmo quando só faltava o Botafogo e sabendo que a camisa rubro-negra jamais saíra de campo derrotada em decisão nacional, a maioria ainda preferia apostar que o Flamengo não chegaria lá. Só a torcida, na certeza do canto que dizia "seremos campeões", permanecia confiante. E se ainda restava alguma dúvida entre os próprios rubro-negros, ela acabou no primeiro jogo decisivo. O Botafogo, que se considerou melhor durante toda a competição, sucumbiu por 3 x 0, um show de Piá, Nélio e do onipresente Júnior. No jogo seguinte, quando o adversário precisava de três gols de diferença, o empate em 2 x 2 bastou. Foi uma festa que, para a profética e vencedora massa rubro-negra, estava longe de ser uma surpresa.
 
19/7/92 Maracanã (Rio)
BOTAFOGO 2 X 2 FLAMENGO

 
J: José Roberto Wright (SP); R: Cr$ 1 854 863 000; P: 122 001; G: Júnior 42 do 1º; Júlio César 10, Pichetti 38 e Valdeir (pênalti) 43 do 2º; CA: Odemílson, Válber, Pingo, Valdeir e Gaúcho; E: Renê e Wilson Gottardo
 
BOTAFOGO: Ricardo Cruz, Odemilson, Renê, Márcio Santos e Válber; Carlos Alberto Santos, Pingo e Carlos Alberto Dias; Vivinho (Jéferson Gaúcho), Chicão (Pichetti) e Valdeir. T: Gil
 
FLAMENGO: Gilmar, Charles, Gélson Baresi, Wilson Gottardo e Fabinho (Mauro); Uidemar, Júnior e Zinho; Júlio César, Gaúcho (Djalminha) e Piá. T: Carlinhos

 
 
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